O Amor é egoísta?
Algumas vezes me faço esta pergunta ao presenciar pessoas se digladiando numa arena de interesses. Isso geralmente diante de um Juiz de Direito cível paradoxalmente as juras de amor e “até que a morte os separe” sob as bênçãos da santa igreja e seu representante. Verdade é que se houve alguma eternidade enquanto durou isso se deu até o ponto em que os interesses individuais tornaram-se conflitantes. “O que Deus uniu, não pode o homem separar”!…
Há casamentos que duram uma vida e outros que se desfazem em poucos anos ou meses. E nos perguntamos onde falharam? A bem da verdade uma vida a dois se constrói com entrega, abnegação e respeito pelo outro. E quando uma das partes descumpre essa premissa num relacionamento há que ser acionado o velho mecanismo chamado “tolerância”!
Esse olhar que lançamos no outro é carregado de signos pessoais. Intencionalmente ou não estaremos empenhados em parecermos convincentes. Uma intrincada rede de neurônios, glândulas e hormônios irão trabalhar nesta conquista._ “E quando uma conjunção de fatores corrobora para o sucesso na dança de acasalamento das espécies, macho e fêmea se entregam ao ato perpetuador da linhagem humana”. Mas, apesar de biologicamente todo processo ser parecido até mesmo com o nosso mais remoto ancestral há a complexidade da mente humana e todo o seu desenvolvimento cognitivo e evolutivo. Nossa organização social, moral, costumes, ética, religião e, sobretudo, valores mutáveis a cada nova geração.
E o amor, esse algoz sentimento humano quando começa ou termina? Provavelmente quando passamos a não enxergar esse outro que um dia desejávamos tanto conquistar. Será qual nossa maior conquista na vida ou nosso maior “troféu”? Alguns costumam atribuir ao término de seus relacionamentos afetivos a sua maior derrota. Nesse lugar comum estão também todos os conquistadores de plantão e se pudessem teriam uma sala repleta de cabeças abatidas na alta temporada de caça.
Tudo que se disse sobre o amor e que se sabe é que jamais será egoísta, quando isso acontecer então estaremos lidando com um sentimento autodestrutivo.
Não podemos coisificar pessoas como objeto alvo do nosso sentimento de posse e poder. Quando nos unimos por laços matrimoniais subjetivamente dizemos um para o outro que seremos cúmplices, fiéis e amigos, mas jamais donos.
Trágicos geralmente são os rompimentos em que uma das partes se nega a perceber que o amor maculado e o orgulho ferido fomentam o ódio e quanto maior a poção de egoísmo individual empregada, mais insolúvel.
Ainda que qualquer forma de egoísmo individual prevaleça o amor irá encontrar em sua mais sublime forma amparo ao ser.